Depois de feitas as pesquisas relatadas na primeira parte deste trabalho (Hermenêutica e Exegese) e definido com clareza o tema, chegou a hora de elaborar o corpo do sermão. Essa etapa é semelhante a um grande bolo de aniversário: não dá pra comê-lo inteiro, razão pela qual o repartimos em fatias. Assim é o corpo do sermão: existe muito conteúdo, e este precisa ser "fatiado" e servido parte a parte, à medida que o ouvinte vai "mastigando" e se alimentando da verdade viva da Palavra de Deus.
Vamos, então, aprender passo-a-passo como montar a estrutura do sermão, a começar pelo Tema e pelas Divisões. Para facilitar, vamos supor que temos que fazer um sermão tendo como texto o Salmo 23. Vamos relembrar esse magnífico texto? Antes de falar da Estrutura do Sermão como vimos no primeiro módulo (princípios de Hermenêutica e Exegese), é muito importante ler o texto atenciosamente. Por isso, leia agora o Salmo 23:
¹O SENHOR é meu pastor; nada me faltará. ²Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; ³refrigera-me a alma.
Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. *Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.
"Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.
Leu com atenção? Ótimo! Então, sua tarefa é pesquisar tudo que estiver ao seu alcance sobre esse texto. Comece destacando as palavras cujo significado você desconheça. Anote num caderno e procure num dicionário cada uma delas. Depois, pense no contexto: analise o que um pastor de ovelhas fazia naquela época e como ele pastoreava. Por que essas informações? Porque Davi escreveu o salmo pensando em como ele pastoreava as suas ovelhas, chegando à conclusão de que Deus cuidava dele do mesmo jeito que Davi cuidava de suas ovelhas. Por isso, se entendermos o que Davi tinha em mente sobre o cuidado que tinha com suas ovelhas, poderemos entender o que ele quis dizer no salmo.
Busque em livros, ou na internet, todas as informações que puder sobre criação de ovelhas, e como os pastores fazem para cuidar delas. Veja, por exemplo, algumas informações sobre as ovelhas que podem ser encontradas numa pesquisa rápida:
1. Ovelhas são animais que não enxergam longe; caso se afastem do rebanho, perdem-se facilmente, porque não conseguem enxergar nem o pastor, nem as demais ovelhas;
2. Ovelhas têm lã muito espessa, que esquenta muito. Por isso, elas precisam se "refrescar" na água. Carecem de sombra e água fresca;
3. Ovelhas têm as pernas muito curtas; se entrarem num rio com correnteza, o que acontece? A lã da sua barriga se encharca e a correnteza a leva. Por isso, o pastor tem sempre a preocupação de levar suas ovelhas para águas tranquilas.
E aí? Começou a perceber o quanto é importante entender o contexto e as informações do texto? O que Davi quer dizer é que nós somos como as ovelhas: enxergamos muito pouco o futuro, precisamos de refrigério pra nossa alma, e somos sujeitos a muitos perigos constantemente. E mais ainda: assim como Davi compreendia as necessidades e características de suas ovelhas, Deus também conhece nossas necessidades e características e cuida de nós com o mesmo empenho que Davi cuidava das suas ovelhas. E isso já pode ser o início do "conteúdo" do seu sermão no salmo 23. E olha que eu citei apenas três informações sobre ovelhas! Imagine quando você fizer uma pesquisa completa em livros, revistas, dicionários bíblicos e na internet!
Então, esta é a primeira parte: analisar e estudar o texto cuidadosamente. Isso nos fornecerá um monte de informações que ainda não são o sermão, uma vez que estão desconectadas umas das outras. Falta o quê? ESTRUTURA. Por isso, deixe de lado suas anotações sobre o texto e vamos pensar na Estrutura do Sermão.
Voltaremos a falar do Salmo 23 daqui a pouco. Quando falamos de Estrutura, aprendemos que ela é o "esqueleto" do sermão; um "esboço" que mantém o conteúdo do sermão em pé. Existem várias partes que compõem a Estrutura do sermão, e vamos estudar uma por uma cuidadosamente. Agora, vamos concentrar nossa atenção no tema e nas divisões, que formam o "corpo" do sermão. Para facilitar nosso exemplo, planejaremos um sermão de três divisões. Vamos, então, pensar num tema. Lembra-se das conclusões a que chegamos quando analisamos as informações sobre ovelhas? O que podemos aprender com o salmo? Que o Senhor cuida de mim como Davi cuidava de suas ovelhas, pois o Senhor é o meu pastor. Esse será o tema do Sermão! Então, vamos iniciar a elaboração da nossa estrutura:
TEMA: O senhor é meu pastor
1ª Divisão:
2² Divisão:
3ª Divisão:
Agora que já temos o tema, vamos pensar nas divisões. Imagine que todo o conteúdo que você pesquisou e quer colocar no sermão seja um grande "bolo de aniversário". Ninguém come um bolo grande com uma só mordida. Por isso, a gente corta o bolo e vai comendo fatia por fatia. Assim é o conteúdo do sermão: precisa ser dividido. Vamos fazer essa divisão pela sequência lógica do texto: versos 2-3, v. 4 e v. 5-6. São os três "blocos" do salmo 23. Cada "bloco" será uma divisão de nosso exemplo. Comecemos, então, pelo bloco 1: nos versos 2 e 3, Davi fala que Deus cuida dele, fazendo-o repousar, guiando-o, etc. Assim, vamos elaborar a primeira divisão pensando no tema e nessa ação de Deus - Ele traz direção:
TEMA: O Senhor é o meu Pastor
1ª Divisão: Ele traz Direção à minha Vida
2ª Divisão:
3a Divisão:
Agora, passamos para o 2º bloco, que está no verso 4. Ali o salmista afirma que, mesmo que eu passe por momentos difíceis, Deus me traz descanso. A ideia, então, é a de que eu posso descansar na vontade de nosso pastor celestial, pois Ele cuida de mim. Esta é a segunda "fatia do bolo", ou seja, a 2ª divisão do sermão:
TEMA: O Senhor é o meu Pastor
1ª Divisão: Ele traz Direção à minha Vida
2ª Divisão: Ele traz Descanso à minha Vida
3ª Divisão:
E, finalmente, o 3º Bloco, versos 5-6, quais falam que se os inimigos chegarem, o Senhor me traz Segurança. Essa é a 3ª "fatia", ou seja, a 3ª divisão do sermão:
TEMA: O Senhor é o meu Pastor
1ª Divisão: Ele traz Direção à minha Vida
2ª Divisão: Ele traz Descanso à minha Vida
3ª Divisão: Ele traz Segurança à minha Vida
Pronto. Agora já temos uma Estrutura do Sermão. Veja que esse é apenas o "esqueleto". Ele precisa ser preenchido com as informações que já obtivemos no início do estudo do texto. Essa parte, a Estrutura, é a mais difícil na "montagem" do sermão. Por isso, fixe bem essa metodologia para elaborar uma boa estrutura; mais à frente falaremos sobre o "enchimento" dela, que é identificado como "discussão". Por enquanto, precisamos continuar com nossa atenção na estrutura, a fim de melhorar nossa capacidade de olhar de forma sistemática para o sermão.
Deixe-me mostrar rapidamente outro exemplo de como elaborar o Tema e as Divisões do sermão, usando um texto mais extenso e do Novo Testamento. Este é o texto de Mateus 6.25-34, no qual Jesus fala da "ansiosa solicitude pela vida". Abra sua Bíblia e leia este texto cuidadosamente.
Antes de tudo, perceba que toda vez que a primeira letra de um versículo aparece em "negrito", isso indica que, no original, ali se inicia um parágrafo. Portanto, neste texto temos dois parágrafos: v. 25 e v. 34. Aqui, partimos do pressuposto de que você já pesquisou as palavras das quais não sabia o significado, analisou o contexto do texto, onde Jesus estava, para quem estava falando, o que ele tinha por perto para usar no ensino, entre outras coisas, e aplicou as leis da Hermenêutica e Exegese estudadas no módulo 1.
Vou colocar uma cópia do texto pra você perceber como visualizar os diagramas contidos na narração e o quanto é importante ter um olhar sistemático para o texto:
Entendendo o Texto:
Lição Principal - 25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?
Primeira ilustração (as aves do céu) - 26 Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? 27 Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?
Sugunda ilustração (os lírios do campo) - 28 E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29 Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?
Conclusão do parágrafo (primeiro "portanto", sem negrito, fechando o parágrafo) - 31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? 32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas clas;
33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Conclusão final - 34 Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.
Agora, vamos à primeira ação homilética: separar o texto por "blocos", a fim de compreender quais são as "fatias do bolo", e captar a mensagem "total" do texto. Vá fazendo uma análise pelo conteúdo de cada versículo ou bloco de versículos, e perceba que temos um esquema do texto assim:
1. Ensino principal (v25)
1.1 ilustração (V. 26-27)
1.2 ilustração (V. 28-30)
Conclusão preliminar (v.31-33)
Conclusão final (V. 34)
Nosso sermão, então, ficará assim (analise o esboço abaixo):
TEMA: Evitando a ansiedade com as coisas materiais
1. Porque a Vida é mais do que o Alimento
(v.26-27)
2. Porque o Corpo é mais do que as Vestes (v. 28-30)
3. Porque os Gentios é que se preocupam com as coisas materiais (v. 30-33)
Pois bem. Veja que este esboço é o "esqueleto" do sermão, que dá sustentação aos ensinos que serão inseridos em cada uma das divisões. Sem esse "esqueleto", o sermão não tem consistência e nem poderá ser absorvido pelo ouvinte.
Por isso, algumas características das divisões 20 precisam ser observadas.
As divisões devem ser reduzidas em número - a primeira pergunta que surge nessa parte é: quantas divisões devem ter o sermão? A resposta é: tantas quantas o texto exigir. Entretanto, vamos lembrar de que o bom senso vai ajudar o pregador a manter o equilíbrio de tal forma que, se o texto só apresenta uma divisão, ele precisa trabalhar mais para "fatiar o bolo"; por outro lado, se o texto traz oito divisões, o bom senso diz para o pregador preparar dois sermões em lugar de um só, porque, senão, o sermão corre o risco de ter muito conteúdo numa só exposição. O conselho é: "Não sobrecarreguem o sermão com material demais. Não se deve tentar comprimir a verdade toda num discurso"21. Há uma teoria de que o sermão precisa ter três divisões, com base em estudos que afirmam que esse é o número ideal para a fixação do conteúdo na mente humana. Entretanto, voltamos à questão do bom senso, uma vez que, de
fato, o ouvinte não vai conseguir se lembrar de muitas ele evite pregar divisões. Caso o pregador tenha a responsabilidade de pregar na Igreja o ano todo, convém que sermões com excessivo número de divisões, uma vez que ele pode continuar a exposição do texto no sermão da semana seguinte. Só deve ter o cuidado de elaborar sermões independentes, cada um com começo, meio e fim, de acordo com os princípios da homilética.
As divisões devem ser distintas, o pregador deve tomar cuidado para não ser repetitivo na organização das divisões. "As divisões principais da exposição devem ser concisas e claras. Cada uma deve ser autônoma, isto é, deve ter sua série de argumentos sem infringir a outra"22.
Quando mudar de uma divisão para outra, zele para que também mude o assunto, passando para um que seja sequência do anterior. Lembre-se de que, além de mudar de assunto, é necessário haver sequência de raciocínio na organização das divisões de tal forma que uma complemente a outra ao mesmo tempo em que complementada pela seguinte. E
As divisões devem ter Unidade, ou seja, estar intimamente ligadas ao tema - na verdade, cada divisão deve ser uma continuação do tema e manter a harmonia com a divisão anterior e posterior. Para testar a unidade entre o tema e as divisões, faça o seguinte: leia o tema e leia a primeira divisão do sermão. Parece algo lógico? Foi no sistema de uma pergunta e uma resposta? Qualquer pessoa que ler essas duas frases compreende sem maiores esforços? Isso ocorre com o tema e as demais divisões? Se a resposta for positiva, então ficou bem elaborada a estrutura.
Estrutura do Sermão
TEMA.
1° Argumento
2º Argumento
3º Argumento
4° Argumento
Conclusão
Vamos ilustrar isso com o exemplo que usamos, o do Salmo 23. Um sermão naquele texto, como vimos, poderia manter como tema o próprio começo do salmo: "O Senhor é meu Pastor". As divisões, então, teriam que emanar do tema, completando-o e explicando-o.
Tema: "O Senhor é meu Pastor" (Salmo 23)
1.1 Ele traz Direção à minha vida (v. 2-3)
1.2 Ele traz Descanso à minha vida (v.4)
1.3 Ele traz Segurança à minha vida (v.4-6)
Dessa forma, se alguém ler o tema e ler a primeira divisão, verá que eles se completam ("O Senhor é meu Pastor: Ele traz Direção à minha Vida"); o mesmo acontece com as demais divisões. Caso a leitura das duas frases (tema e divisão) não se completem, então o pregador deve reiniciar seu trabalho e elabora-las novamente.
As divisões devem ter padrão didático - isso quer dizer que cada uma delas deve ter uma mesma forma de ser expressa, obedecendo ao padrão que for estabelecido. Por exemplo, se a primeira divisão estiver no passado, as demais também devem estar no passado:
Tema: "Deus ouve as Orações"
1.1 Ele ouviu as orações de José
1.2 Ele ouviu as orações de Ana
1.3 Ele ouviu as orações de Daniel
Veja que, no nosso exemplo do Salmo 23, todas as divisões começam ("Ele traz") e terminam ("à minha Vida") com as mesmas palavras e as ações expressas no meio de cada divisão (Direção, Descanso e Segurança.) Consequência tanto do tema quanto da argumentação anterior:
TEMA: O Senhor é o meu Pastor
PADRÃO
DIDÁTICO...
1. Ele traz - Direção - à minha Vida
2. Ele traz - Descanso - à minha Vida
3. Ele traz - Segurança - à minha Vida
Esse padrão didático facilita a "digestão" da mensagem, e faz com que o ouvinte compreenda mais rapidamente o conteúdo do sermão. Além disso, o padrão didático facilita a vida do pregador, visto que, se ele quiser fazer a apresentação do sermão sem esboço, terá que decorar só as palavras no meio das frases, uma vez que o início e fim das divisões são todos iguais.
As divisões devem ser apresentadas por frases curtas e de fácil compreensão - assim como o tema não deve ser muito comprido, as divisões precisam ser breves e objetivas, a fim de facilitar a compreensão e a memorização. "Ao compor as divisões principais, é necessário que o expositor se lembre da situação do ouvinte. Normalmente, eles não podem ver o esboço do sermão. Portanto, é importante que as divisões principais sejam redigidas com frases ou declarações curtas e de fácil memorização". Quando o pregador insere nas divisões frases muito longas, a impressão que o ouvinte tem é de que há um sermão dentro do sermão. "O esboço do sermão deve também ser 'visível' ao ouvinte, isto é, a redação de cada divisão deve ser curta e fácil de memorizar. Palavras que produzam imagens mentais são imprescindíveis a um esboço que possa ser memorizado."
Antes de concluir essas características das divisões, insisto que este trabalho deve ser feito depois de exaustiva pesquisa e estudo do texto. Lembro isso aqui porque há um risco enorme de o sermão ter um bom tema, divisões bem elaboradas, mas ser completamente desprovido de conteúdo. "Dividir bem um sermão pode ser uma arte muito útil, mas, como fazê-lo se não houver nada para dividir? [...] O verdadeiro ministro de Cristo sabe que o verdadeiro valor de um sermão está, não em seu molde ou modo, mas na verdade que ele contém." Esse ponto de equilíbrio é importante para que, aliada à capacidade técnica de elaborar um bom sermão, esteja a fidelidade ao conteúdo bíblico do texto que estamos expondo. É por essa razão que vários professores de Homilética insistem que no ministério da pregação não há lugar para preguiçosos. A responsabilidade de quem prega a palavra é muito grande para ser encarada como atividade a ser feita no pouco tempo que sobra em nossa agenda. Ou priorizamos o estudo da Palavra com seriedade, ou deixamos tal ministério para outra pessoa que se esmere mais.
As divisões (ou argumentações) do sermão, então, constituem-se na forma de apresentar o conteúdo principal do sermão. Precisam ser bem elaboradas justamente porque esse conteúdo geralmente é amplo e de difícil compreensão, a menos que o pregador ache a metodologia correta para expor passo a passo, ponto a ponto, dando tempo e possibilitando ao ouvinte o entendimento e a montagem do quebra-cabeças" em sua mente.
Tendo caprichado na definição do Tema e das Divisões, agora chegou a hora de preencher as divisões com o conteúdo do sermão. Essa parte, nos livros de homilética, é chamada de "Discussão".
A Discussão
"As divisões principais e as subdivisões não passam do esqueleto do sermão e servem para indicar as linhas de pensamento a serem seguidas ao apresentá-lo. A discussão é o desdobramento das ideias contidas nas divisões."
Na discussão é que o pregador vai incluir todo o material de pesquisa para esclarecer o texto bíblico. É pegar a estrutura e expandir as divisões, explicando tudo que for necessário. Algumas informações são colocadas na Narração, que é a parte do sermão disposta antes do Tema e das Divisões. As informações resultantes da pesquisa que entrarão na discussão são aquelas que vêm explicar a respectiva divisão. Por isso, no próximo capítulo faremos diferenciação entre essas duas formas de inserir as informações. Por enquanto, lembre-se de que, após lançar cada divisão, o pregador vai usar a discussão para explicar cada uma das divisões. Veja onde ficará a discussão no desenho abaixo:
TEMA: O Senhor é o meu Pastor
1. Ele traz Direção à minha Vida
Aqui vem a discussão: é a explicação da
primeira divisão.
2. Ele traz Descanso à minha Vida
Aqui vem a discussão: é a explicação da segunda divisão.
3. Ele traz Segurança à minha Vida
Aqui vem a discussão: é a explicação da
terceira divisão.
A discussão, portanto, é o conteúdo bíblico teológico que o pregador irá expor dentro de cada divisão do sermão. Para fazer esse trabalho com eficiência, James Braga alista as seguintes qualidades para a discussão:
1. A discussão deve ter Unidade - assim como a divisão deve ter unidade com o tema, a discussão deve ter unidade com a divisão, uma vez que ela é a explicação da divisão. Você não pode anunciar uma coisa na divisão e falar de outra coisa ao explicá-la.
2. A discussão deve ter Proporção - dependendo do ambiente e do auditório, ou mesmo do contexto em que a pregação está sendo feita, o pregador deverá ter sensibilidade para reconhecer quais partes do sermão precisarão de mais ênfase ou de um tratamento mais completo. As divisões devem ser bem equilibradas, a fim de apresentar um sermão mais completo. Você deve evitar, por exemplo, usar 20 minutos para explicar a primeira divisão e apenas três minutos para explicar a segunda, pois seu sermão ficaria desproporcional.
3. A discussão deve ter Progressão - as ideias de cada divisão devem ser claras e sequenciais, estabelecidas de tal forma que o ouvinte possa "caminhar junto" com o pregador.
4. A discussão deve ter Brevidade - uma das falhas mais comuns do pregador é a verbosidade. Na maioria das vezes, o que é dito em 45 minutos pode ser dito em 25. O resultado é que ouvinte cansa e perde o interesse na pregação. Por isso os pregadores devem desenvolver disciplina pessoal para saber "falar pouco e dizer tudo".
5. A discussão deve ter Clareza - fica aqui o alerta para o uso de palavras complicadas, que não fazem parte do cotidiano do ouvinte. Já falamos sobre isso ao tratar do Tema do sermão, e agora repito o alerta nesta parte também. Já pensou o quanto deve ser dificil ouvir um pregador que diz: "Porque o deslavo peremptório da abruptividade humana é uma realidade antropomórfica que extrapola os parâmetros da sanidade psicossomática do ser hodierno". Entendeu alguma coisa? (nem eu...). Pois então preste atenção para não falar algo semelhante na pregação. Não adianta o pregador entender. Quem tem que entender é o ouvinte.
Vamos explicar um pouco mais sobre a discussão no próximo capítulo, ao usar outro exemplo de sermão.
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